Coevolução digital: tecnologia e cultura evoluindo juntas
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A cultura digital é forte porque a empresa tem uma boa estrutura tecnológica ou a estrutura tecnológica é boa porque a cultura digital é forte? Parece o dilema “do que veio primeiro, o ovo ou a galinha?” mas é uma questão atual e sobre a qual precisamos conversar!
Simone Luvizan
Nas nossas andanças pelas empresas, ouvimos de tudo. Tem gente que diz que sua estrutura tecnológica não avança porque a empresa não tem cultura digital. Outros relatam que o desenvolvimento da cultura digital na empresa empaca numa estrutura tecnológica problemática e limitante. Quem tem razão? Todo mundo tem seu ponto!
Só promover a cultura num ambiente sem recursos para que ela se consolide na prática pode ser um campo minado. Você pode até atravessá-lo, mas há grandes chances de pisar numa bomba de frustração e conflitos quando a realidade do dia a dia não corresponder ao discurso. Por outro lado, investir numa estrutura tecnológica de ponta sem combinar a dança com a cultura pode gerar um baile decadente, em que as ferramentas vagam sozinhas na pista sem parceiros para dançar. Por isso, ao invés da discussão retórica sobre quem vem antes, que tal abraçarmos o desafio da coevolução?
Lições da natureza sobre coevolução
Na biologia, o termo coevolução refere-se ao processo no qual duas ou mais espécies influenciam-se mutuamente, gerando um fluxo evolutivo conjunto. Ou seja, uma espécie recebe estímulos que impactam sua própria evolução, ao mesmo tempo que também gera estímulos que influenciam a evolução da outra espécie. Mas não se engane pensando que está todo mundo querendo se ajudar!
Há relações de cooperação genuína, como a dos beija-flores e flores tubulares. O beija-flor alongou o bico para alcançar o néctar, enquanto as flores repaginaram seu formato para facilitar o trabalho do pássaro. Com o propósito alinhado, eles caminham juntos em seu processo evolutivo, de olho em qualquer oportunidade de melhorar a eficiência da polinização.
Já não podemos dizer o mesmo da relação entre plantas e herbívoros. Enquanto as plantas evoluem para criar espinhos ou toxinas contra os herbívoros, a evolução desses animais trabalha para criar mecanismos que neutralizem essas defesas das plantas, como sistemas digestivos mais resistentes. Com propósitos conflitantes, o processo evolutivo dessa galera é uma competição voraz, um verdadeiro salve-se quem puder (literalmente!).
Enquanto isso, nas empresas…
Voltando à questão sobre tecnologia e cultura, parece óbvio agora que uma boa resposta seria que elas devem coevoluir como flores e beija-flores, trabalhando juntas pela transformação das empresas. Mas será que é isso o que está acontecendo de fato? Ou a relação entre elas está mais parecida com a de plantas e herbívoros? Ou, ainda, parece estar atravancada em algum lugar incômodo que não é nem uma coisa e nem outra?
De uma forma geral, os números são preocupantes. Uma pesquisa da NTT Data, realizada em 130 países, indicou que 80% das empresas acreditam que a estrutura tecnológica inadequada ou desatualizada está limitando a inovação e o progresso das organizações. Por outro lado, o CIO Report 2025 revela que 53% dos líderes de tecnologia de empresas brasileiras admitem que parte da tecnologia implementada é subutilizada, indicando questões como a quebra de silos, competências das pessoas e processos como temas centrais para alavancar a utilização plena das tecnologias existentes. Na pesquisa da PwC sobre a maturidade da Transformação Digital no Brasil, 49% dos respondentes indicaram a cultura e estrutura da empresa como barreiras para o seu desenvolvimento digital. Ou seja, tem tecnologia sobrando de um lado e tem cultura sofrendo por falta de tecnologia do outro, confirmando a tese que a questão central não é qual delas é mais importante ou qual deve sair na frente, mas como elas caminham juntas para gerar uma jornada consistente na organização.
DR entre as flores e os beija-flores
Se você identificou sua empresa em uma dessas estatísticas, temos uma boa notícia! A transformação digital não é um destino, mas um movimento. Portanto, sempre é tempo de mover-se de outro jeito, de encontrar novos caminhos e, claro, de repactuar o ritmo e as relações com os companheiros de viagem!
Talvez, um bom começo seja tomar consciência do processo coevolutivo. Abandonar a disputa retórica sobre o que vem primeiro e abraçar de forma genuína a ideia de que só evoluiremos à toda potência se a cultura digital e a estrutura tecnológica evoluírem juntas. Partindo dessa premissa, a próximo passo é questionar como o bico tecnológico pode se ajustar às condições da flor da cultura e, ao mesmo tempo, como a flor da cultura pode se abrir mais para viabilizar e potencializar o trabalho do bico tecnológico.
Mas não adianta ficar só hablando!
O importante é não ficar só na conversa, mas traçar uma estratégia e um plano de ações concretas para colocar essa postura em prática. Aqui vale lembrar de mais uma lição da natureza: a evolução das espécies é um processo longo e contínuo. Portanto, quando falamos em ação, não nos referimos a realizar grandes gestos isolados. É fundamental caminhar com consistência e intenção. Ainda que os passos sejam modestos, se forem coerentes e contínuos, promoverão transformações poderosas. Os bicos vão se alongando, as flores vão se ajeitando e, quando nos damos conta, cultura digital e estrutura tecnológica estão afinadíssimas. Pode ser que ninguém saberá explicar ao certo quem se ajustou primeiro, mas isso não terá a menor importância diante da beleza de uma jornada de transformação orgânica e sustentável!
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